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sexta-feira, junho 12

A vida inspira-me...

E a Teresa Calisto também.
Quem me conhece sabe a relação psicológica que tenho com a Índia, quantas vezes a refiro, a sonho, a projecto, num futuro ainda mais ou menos distante.
Quem me conhece sabe também a relação que tenho com as missões humanitárias e o voluntariado, mas mais ainda com as grandes causas dos pequenos gestos.
Há já algum tempo que sei que a única coisa que me impede de mergulhar num projecto assim é a existência da M., a minha maior missão, um projecto não apenas a médio prazo, até aos 18, mas uma missão para toda a vida. Como só um filho pode ser.
Mas não deixo de estar ciente que muitas vezes aquilo que julgamos fazer parte de nós não é mais do que um engano e que, quando finalmente confrontados que essa realidade, chegamos à conclusão que nos enganaramos. Porque uma coisa é idealizar, com base em pressupostos do que conhecemos de nós e das nossas experiências e vivências, e outra coisa é viver essas idealizações. E, afinal de contas, todos nós sabemos o que são essas constatações, desde as coisas mais simples do nosso dia-a-dia até às experiências maiores como a de educar um filho ou construir uma relação a dois. Pensar que se consegue ou desejar conseguir não é o mesmo que ter a capacidade de o fazer. Essa só se conhece vivendo-a!
Por outro lado, é comum nas pessoas que desejam fazer missões humanitárias ou ter experiências de voluntariado, um certo desejo de fuga. Nada mais errado. Quem se predispõe a uma aventura destas, seja ela de pequena ou grande dimensão, quer em termos de projecto, quer em termos de durabilidade, não pode estar a fugir de nada, e muito menos de si. Quem mergulha numa vida ou fase de vida assim tem de levar tudo de si consigo, tem que partir inteiro, tem de se dar todo. E só podemos dar aquilo que temos. Vazios necessitamos de preenchimento, o que num caso destes faz depender o sucesso da empresa de factores que mais facilmente conduzem à frustração do que à realização.
Neste aspecto, sei bem do que falo. Enquanto voluntária e coordenadora de voluntários numa IPSS, durante 3 anos, vi por lá passar muita gente que procurava um espelho que lhe dissesse que era boa e altruísta, caridosa e humanista. Puro engano. A maioria das vezes o terreno destes trabalhos é um terreno minado, onde os seus actores já sofreram demasiado e estão demasiado zangados com o mundo e a vida para nos dizerem coisas boas e bonitas. E por isso, justamente por isso, lá fazemos falta. Mas para isso, justamente para isso, é preciso ter a capacidade de meter a mão na massa, aceitar as poucas compensações, ter contemplação com longos períodos de espera, saber amar e saber perdoar. Saber quem somos, para ajudar os outros nesse caminho mas, sobretudo, ter a capacidade de aceitar que eles podem até não o querer fazer.
Se por ai andarmos à nossa procura, aquilo que vamos trazer é o pior de nós, e o pior dos outros. Nesse caso, mas vale abortar a missão, mesmo antes de começar.
Não nego que nesta fase da minha vida o apelo à fuga não seja grande. Sair daqui e fazer coisas para as quais me sinto habilitada é uma grande tentação nos dias que correm. Mas não ia inteira. Deixava para trás uma boa parte de mim, por ver crescer e tentar ajudar a tornar livre, e levava comigo partes por resolver, pedras, não nos sapatos mas certamente nos bolsos, que me dificultariam os movimentos e tornariam a viagem mais penosa, porque mais pesada.
Quem parte em missão tem de ser livre. Mais do que de compromissos, de alma.
À Índia espero ir um dia, pelo menos em viagem mais ou menos longa, mas talvez não morra por lá com 103 anos, como costumo dizer a brincar.
Hoje, iria? Não. Não por falta de vontade. Mas porque para fazer as malas para uma longa viagem tem de se ter a casa bem arrumada. E a minha, neste momento, não está.
Entretanto, por lá e para lá, vou viajando pelo na fila indiana da Teresa Calisto, admirando a coragem e capacidade de uma jovem que pode e deseja viver uma fase de vida assim.
Agora espreitem e digam lá se é fácil!




6 comentários:

  1. o quê? a menina marie claire d ebom coração mas a beber chá e comer biscoitos no estúduio, com aroma de kenzo na índia? ok ok não duvido do teu bom coração, mas pensa lá bem anaguida se é só mesmo pela m....então e as papoilas do papá? e outros mimos tais? cuidado c as desinterias e afins hehehe
    bj grnd e se for esse o teu destino, então realiza-o

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  2. Menina Princesa do Castelo: reconheço que na volta chegava lá e apanhava um susto... embora ache que não. Por outro lado, sei bem que deixaria cá um mundo de mimos e de afectos, muito para além da M. A minha familia e os meus amigos (que são os melhores do mundo!) são peças muitissimo importantes deste puzzle que é a minha vida. Mas não tenho dúvida alguma que uns e outros me apoiariam nesta aventura, se soubessem que isso me realizaria. E depois não seria, julgo eu, para toda a vida. Tenho raizes muito profundas e não me é facil desenraizar-me... mas que sonho realizar este sonho, lá isso é verdade... o sr. Tempo dirá! Se for, trago-te uns insensos, prometo :)

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  3. aguardo então os incensos e q não venhas de lá desapontada, a cheirar a caril e chamuças, ainda + 'chupada das carochas'...já sabes: leva mts t-shirts pk é sempre a transpirar, mt perfumezito e acima de td, coragem! :) bj

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  4. E quem não a conhece, mas já teve o grato prazer de a ler, também sabe!

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  5. H:... pois, parece que até aí esta "maluqueira" se nota...

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  6. É bom quando o sol entra nos nossos dias assim, sem contar e pelas mãos de uma desconhecida. Para mim tem um calor especial, porque é um carinho "des-obrigado" de amizades ou relações familiares existentes. Muito obrigada pelas palavras e por me trazer para este fabuloso cantinho cybernauta.

    É verdade o que diz: muita gente procura experiências e mudanças radicais para fugir. O desafio é que nunca podemos fugir de quem somos e nunca podemos ir para lado nenhum (seja um ano na India ou uma semana no Funchal) sem levarmos tudo o que vai na nossa cabeça e no nosso coração. Apesar de eu acreditar que "ser a mesma noutro lugar muda tudo", só porque desejei muito aqui estar é que aguento os momentos em que me apetece fugir, aos gritos de volta para o colo da minha mãe e os abraços dos amigos.

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O teu raio de sol...

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